Quando um filho sofre, o impulso de retirar o problema do caminho é compreensível. Mas, em algumas situações, aliviar imediatamente pode ensinar uma mensagem que os pais não pretendiam transmitir: “você só ficará bem se eu resolver isso por você”.

Isso pode acontecer quando a criança tem medo de apresentar um trabalho, se frustra porque perdeu um jogo, não quer entrar sozinha em uma atividade ou se decepciona com um amigo. O desconforto é real e merece acolhimento. Ao mesmo tempo, ele também pode ser uma oportunidade para desenvolver tolerância à frustração, autonomia e confiança.

Acolher não é concordar com a fuga

É possível reconhecer o que a criança sente sem confirmar que a situação é perigosa ou impossível. Em vez de “não precisa ir, eu resolvo”, uma resposta mais fortalecedora poderia ser: “Eu percebo que isso está difícil. Vamos pensar no primeiro passo que você consegue dar”.

Esse tipo de apoio reúne duas mensagens importantes:

A pergunta que ajudaAntes de intervir, vale pensar: estou oferecendo suporte para que meu filho enfrente a situação ou estou retirando a situação para que ele não sinta desconforto?

O que o excesso de proteção pode ensinar

Quando o adulto evita repetidamente qualquer desconforto, a criança pode ter menos oportunidades de descobrir que emoções intensas diminuem, que erros podem ser reparados e que ela possui recursos para lidar com dificuldades.

Isso não significa expor a criança de forma brusca, ignorar seus limites ou exigir independência incompatível com a idade. O objetivo é oferecer desafios graduais, possíveis e acompanhados.

Como apoiar de uma forma que fortalece

Na prática

  1. Nomeie o que observa: “Você ficou preocupado com a apresentação”.
  2. Valide sem aumentar o perigo: “Faz sentido ficar nervoso quando algo é importante”.
  3. Expresse confiança: “Eu sei que é difícil e acredito que você consegue tentar”.
  4. Divida em passos: ensaiar em casa, apresentar para uma pessoa e ampliar gradualmente.
  5. Valorize o enfrentamento: reconheça a tentativa e a persistência, não apenas o resultado.

Quando o apoio precisa ser ajustado

Se a rotina familiar começa a ser organizada principalmente para evitar reações da criança, se as recusas aumentam ou se há prejuízo escolar, social ou familiar, é importante olhar para o padrão com mais cuidado. A orientação parental ou a psicoterapia podem ajudar a diferenciar proteção necessária, apoio saudável e acomodação que mantém o problema.

O objetivo não é formar crianças que nunca sofram. É ajudá-las a perceber que podem sentir medo, tristeza ou frustração e ainda assim encontrar maneiras seguras de seguir.

Referências

  1. Lebowitz ER et al. Parent-Based Treatment as Efficacious as Cognitive-Behavioral Therapy for Childhood Anxiety. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 2020.
  2. Sung JY et al. Empowering Anxious Parents to Manage Child Avoidance Behaviors. 2021.